
Às vezes paro e penso como o mundo poderia ser diferente, se as pessoas parassem de se importar, de se superficializar, de se maquiar e viver num mundo cheio de aparências. Mas na maioria dessas vezes, vejo que essa possibilidade está cada vez mais distante. Isso é perturbador. Isso significa que as esperanças se esgotaram dentro de mim.
Aí me vem a vontade de virar uma índia, longe disso tudo, dessa sujeira, desse cheiro podre de gente podre!
Nesse meio de tempo, me surge a ponta da esperança, que me faz refletir, que me faz exercitar a capacidade de entender que tudo há seu tempo, e que esse dia finalmente irá chegar. Que talvez, em vez de reclamar por viver aqui, é necessário ajudar quem ainda tem algo e lapidar o que ele tem de melhor. Não estou me colocando como a pessoa superior que veio para mudar os imperfeitos, mas me colocando como a pessoa à disposição do amor. Acho que quando se é mãe, talvez haja esse sentimento, o tal do amor incondicional.
É difícil, mas quando eu vejo uma árvore, uma criança, ou sinto um banho de chuva, me vem uma vontade de seguir em frente... de sentir que tem algo além disso tudo. Que existe um objetivo! Acredito que Deus se manifesta nos detalhes mais lindos, mas que aos nossos olhos de adultos, se tornam insignificantes, e precisamos entender sua presença e continuar tentando. É isso que tento fazer, tento tentando. Tento esperando. Prefiro tentar do que me lamentar.
Foto: Nádia Carvalho

